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Alfabetizar, Sim Podemos
31  DEZEMBRO  1969 

Alfabetizar, Sim Podemos

Por várias vezes tive a oportunidade de debater os problemas de alfabetização em nosso país, mas nunca é demais voltar ao assunto, justamente agora quando recebemos a notícia de que, após anos de resultados tímidos no combate ao analfabetismo, o governo do presidente Lula resolveu importar de Cuba uma tentativa de resolver o problema . As informações dão conta de que há dois meses, o governo federal utiliza um método importado daquela ilha do Caribe para ensinar pescadores a ler e escrever.

O programa, denominado “Sim, eu posso”, ou originalmente Yo, si puedo, promete alfabetizar uma pessoa após 65 aulas em vídeo, um tempo recorde para cursos do tipo, que costumam durar de seis a oito meses. Para implantar o método, técnicos cubanos foram enviados aos cinco estados onde o projeto está sendo implementado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. O governo cubano cedeu os filmes e enviou os consultores e o Brasil paga as despesas deles no país.

Embora tenhamos em mente que o Brasil não faz parte do seleto grupo de países que se empenham e produzem os melhores resultados na área educacional, não podemos concordar com a importação de métodos de alfabetização de Cuba. É uma questão de bom-senso e de valorização do que temos por aqui, sem conotação política ou intervenções de outro tipo. Por exemplo, desde 2003, a Federação Nacional das Escolas Particulares, que congrega mais de 37 mil escolas com 11 milhões de alunos, apresentou um amplo projeto de alfabetização, engajando-se assim ao esforço do governo brasileiro no Programa Brasil Alfabetizado, cuja proposta era alfabetizar mais de dois milhões de trabalhadores da construção civil. Já naquela época acreditavam os educadores da escola particular que cada vez que alfabetizamos uma mulher ou um homem neste país, fazemos nascer para a cidadania um novo brasileiro. O projeto foi relegado a segundo plano.

Temos um árduo trabalho pela frente, mas podemos e devemos contar com nossos próprios recursos intelectuais para resolver um problema tão grave que desafia os vários governos brasileiros que se sucederam. O importante é que as autoridades educacionais, responsáveis  pela alfabetização no país, tenham continuidade no programa. O que acontece é que a cada mudança de governo e de ministro, muda-se o planejamento, começando tudo do zero. O governo Lula está nos estertores e, ao meu ver, não é conveniente  implementar programas de alfabetização importados, que podem mudar já a partir de 2011.

Projeta-se para um futuro bem próximo que o Brasil será a quinta economia do mundo, porém, segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2008, o país precisa de pelo menos 20 anos para conseguir erradicar o analfabetismo. O índice hoje é muito alto, com quase 10% de analfabetos, ou seja 14 milhões de pessoas, além de uma população adulta que tem baixa escolaridade.

Na verdade as autoridades educacionais deveriam se preocupar, também, e com ênfase total, no estimulo ao ensino básico, pois é nessa faixa etária que acontece o desenvolvimento da criança e, cada centavo investido nesse período retorna, com certeza, para a sociedade, que se beneficia com a formação de melhores cidadãos.

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