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Grupo Interação: união e estímulo para superar barreiras
5  ABRIL  2012 

Grupo Interação: união e estímulo para superar barreiras

Praticar esportes, fazer exercícios físicos, passeios culturais, trocar experiências e fazer amizades são aspectos importantes para qualquer grupo de pessoas, mas quando os participantes são cadeirantes essas simples atividades se transformam em momentos especiais.  Foi pensando nisso que Paulo Scarpelli, 36 anos, idealizou e atualmente coordena o projeto Grupo Interação, que teve início em 2009 com um pequeno grupo a partir da necessidade de se praticar atividades físicas durante as férias, quando muitos espaços utilizados por portadores de necessidades especiais ficam fechados. 

Paulo é cadeirante, ele conta que viu sua vida mudar drasticamente após uma queda de um mezanino enquanto trabalhava. Já adaptado à sua nova condição de vida, passou a dedicar o seu tempo para ajudar outras pessoas. “O acidente aconteceu em 1998, no ano seguinte eu comecei a reabilitação e em 2000 eu entrei para o clube dos paraplégicos. Durante quatro anos fiz dança em cadeiras de rodas, aprendi bastante coisa e conheci muita gente. Em 2004, entrei em um projeto da Subprefeitura Capela do Socorro chamado Passeando por Sampa Incluí, onde eu aprendi ainda mais, e Deus me proporcionou essa oportunidade de passar para outras pessoas tudo o que eu aprendi”, conta Paulo. 

Hoje, cerca de 30 pessoas, entre cadeirantes e voluntários, se encontram nos três primeiros finais de semana no ginásio do CEU - Centro Educacional Unificado, Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo, para prática de exercícios e condicionamento físico. No último final de semana de cada mês o grupo realiza uma ação cultural em diversos espaços culturais e pontos turísticos da cidade. Entre os lugares já visitados estão o Parque da Juventude, Pinacoteca do Estado, teatro do SESI, REATECH, Parque da Independência, Parque Villa Lobos, etc. “Muitas pessoas do grupo nunca tinham ido a lugares como estes”, ressalta Paulo. Tanto para chegar ao CEU Cidade Dutra, quanto para fazer os passeios, os integrantes do Grupo Interação contam com o apoio do ATENDE, serviço da Prefeitura de São Paulo que busca os cadeirantes em casa e ao final dos passeios e das atividades os levam de volta. 

Com o passar do tempo o grupo foi aumentado e os primeiros voluntários foram chegando, principalmente estudantes de fisioterapia e educação física, que trabalham alongamento, fortalecimento muscular e equilíbrio. De acordo com Paulo, os voluntários vêm de diferentes regiões da cidade, até por este motivo é difícil que eles permaneçam por muito tempo ajudando o grupo, pois a dificuldade de locomoção até o CEU Cidade Dutra é grande.  “Eu tenho o Kauê, por exemplo, que é de Guarulhos, a Roseane que é de Diadema e a Joane de Lauzane Paulista. Eles nos ajudam nas atividades, nos exercícios, e até mesmo na parte lúdica com alguns jogos. O que nós estamos buscando neste momento é algum tipo de patrocínio para custear a condução deles, para mantê-los conosco e também ter mais voluntários nos ajudando”. 

Flavia Pereira Souza, formada em fisioterapia pela UNISA, conta um pouco de sua experiência como voluntária no Grupo.  “Para mim é muito importante esse trabalho e uma enorme satisfação profissional poder ajudá-los. Quando eles ficam muito tempo sem essas atividades nós vemos que eles pioram, mas quando nós conseguimos vir com frequência, nós podemos acompanhar a melhora deles e isso é ótimo”. 

Para Alessandra de Almeida Correia que conheceu o grupo quando fazia estágio na UNISA “é uma paixão ser voluntária porque eles nos contagiam. Nós ajudamos, mas também recebemos em troca, pois ganhamos muito ao ver gradativamente a evolução deles, então é uma felicidade, e eu gosto muito de trabalhar com eles porque eles são uma família, então acabamos não sendo apenas voluntárias e fisioterapeutas, mas amigos também, e isso é tudo pra mim”. 

Se o grupo é uma grande família, eles já “adotaram” até um pai, o Pai Véio, Júlio Alves de Souza, que sofreu uma queda da própria altura em 1996 e perdeu os movimentos das pernas. “Conheci o grupo através do Paulo, estou com eles há uns dois anos, melhorei bastante, e estou melhorando cada vez mais. Esses encontros do grupo Interação ajudam muito, eu creio que não só a mim, mas a todos aqui. Quando eu saio de casa a minha alegria é muito grande, porque a nossa vitória é aqui. Nós somos uma família, uma família boa, grande e honesta. Outra coisa muito boa também é que estando aqui nós não colocamos besteiras na cabeça. Todo passeio, todo evento que fazemos é gratificante. Ajuda muito, muito mesmo. Ficar em casa pensando na vida não dá. Tem que sair mesmo e curtir a vida”. 

A “mainha” do grupo é a dona Divina Francisca das Graças Silva, 67 anos, esposa do Sr. Severino Idalina da Silva Irmão, que além de levar alegria a todos, é um exemplo de que o amor supera todas as limitações. Divina não desgruda do marido enquanto ele participa das atividades do grupo. “Aonde ele vai eu estou junto, não deixo ele sozinho não, então ganhei o apelido de ‘mainha`. Esse grupo é uma benção, são todos muito animados, não tem briga, é uma beleza. Apesar de estar há 16 anos na cadeira de rodas, meu marido é uma pessoa muito pra cima, não se deixa abater. As pessoas gostam de conversar com ele, porque ele passa uma força muito grande”.  

Segundo Paulo, com o tempo as pessoas conseguem ter uma boa evolução porque o convívio com outras pessoas que compartilham do mesmo problema fortalece uns aos outros, além disso, os exercícios e os jogos de handball que são disputados na quadra contribuem bastante. “Nós jogamos handball adaptado às nossas necessidades, porque temos diversas limitações, e o nosso objetivo é não excluir ninguém. Os jogos, além de ser um momento de grande descontração, é também uma forma de integração e união entre eles”.  

No final de 2010, o grupo Interação se juntou à ONG Comunidade Cidadã, que os auxilia na realização de eventos e atividades. Com o projeto consolidado o desafio agora passa a ser o de como avançar, pois a demanda é muito grande.  Além da constante busca para aumentar o quadro de voluntários, são necessários diversos materiais específicos para os exercícios físicos e fisioterápicos, além de alimentação. 

Atualmente o grupo Interação conta com o apoio da HP Sport Academia, Shopping SP Market e Softtek Informática, porém precisa de novos apoiadores para custear despesas com alimentação e izotonicos ao término das atividades e também de alguns acessórios e itens essenciais para que as atividades possam ser realizadas, dentre eles: estetoscópio, esfigmomanômetro (medidor de pressão), Therabands (06 Amarelos, 06 laranjas, 20 roxos e 10 cinzas), 30 toalhinhas de mão, halteres de 4 e 5kg, bolas de handball Hc4 Hc7, Medicine Ball de 3 e 5kg, e o agasalho personalizado. 

 “Esse grupo pra mim é tudo, me dedico de corpo e alma, e procuro evoluir dia a dia, então cada vitória é uma conquista e tanto. Me sinto extremamente feliz por ter começado o grupo com cinco pessoas e hoje vê-lo crescendo desta forma me traz uma alegria muito grande”, finaliza Paulo. 

Mais informações sobre o Grupo Interação podem ser obtidas com o Paulo Scarpelli através do e-mail pauloscarpelli@hotmail.com. Ou pelos Telefones (11) 5665-8243 e (11) 9374-0071.

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