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Por que ler livros?
24  SETEMBRO  2013 

Por que ler livros?

É um orgulho ter tido o Brasil entre os países do G20, em São Petersburgo, na Rússia, mas sabemos que faltam investimentos na área da educação.  Infelizmente o país figura entre os últimos em rankings como o PISA por exemplo. E um dos responsáveis  por essa agrura é a competência leitora.  Os livros vão bem! Há editora que edita um livro  por dia. As livrarias agora são megalivrarias. Bancas de jornais, estações de metrô, cafés, rodoviárias e supermercados vendem livros. Os sebos vendem para todo o país. Os negociantes de livros estão bem satisfeitos! Mas literatura sempre foi artigo de uma pequena elite. E não se trata de elite socioeconômica, falamos aqui de elite intelectual. O país cresceu economicamente, e esperava-se que crescesse proporcionalmente a massa de leitores de literatura, mas isso não aconteceu. 

Como professora de literatura, para mim, a importância da leitura de livros é quase uma fé, de tão inquestionável.  Nenhum país constrói cidadania sem educação de qualidade e sem leitura. Haja vista, exemplos durante vários momentos ao longo da história da humanidade, como  a inquisição na Idade Média em que as bibliotecas ficaram restritas aos mosteiros   e também durante a segunda guerra mundial, quando centenas de livros foram queimados em praças públicas, pois representavam ameaças por seu poder libertador de consciências. 

A leitura é uma ferramenta civilizatória, de inclusão social ou mesmo de humanização.  Pensar em políticas públicas é importante, porque em tudo há política, mas a tarefa é para toda a sociedade. Por exemplo, a mãe que lê para um filho exerce influência fundamental no futuro leitor. A família tem seu papel formador e precisa incorporar em seu repertório que é importante ler para os filhos como entretenimento e como demonstração de afeto. A família é um importante agente socializador. É no ambiente familiar onde encontramos o ponto  primário da relação direta com seus membros. Valores constroem-se em várias décadas e são passados principalmente pelas famílias.

O  livro continua ocupando um lugar importante no imaginário social. Os brasileiros o associam a valores positivos e desejáveis. Mas a questão é tão paradoxal, que o índice de leitura diminui à medida que o indivíduo deixa a escola.  O que revela que a escola ainda  é o centro de formação de leitores.

É bom lembrar que a qualidade de vida nem sempre melhora com o avanço da riqueza material de um povo. De nada valerá o indivíduo ter acesso aos preços dos livros, se só se interessa pelas redes sociais. É sabido que o livro tem hoje uma série de concorrentes.  E mesmo no quesito leitura, à frente dos livros, há internet, jornais, revistas de entretenimento, as legendas dos filmes entre outras coisas. Porém é necessário diferenciarmos  informação de conhecimento.  A internet e as mídias nos informam sobre acontecimentos, nos atualizam e evidentemente nos preparam para muitas tarefas. Porém,  isoladamente, pausterizada leva a uma sociedade homogênea,  talvez alienada, sobretudo se a leitura for de um único periódico.  A leitura de literatura possibilita invenções, desenvolve a imaginação. As histórias não precisam ser factuais ou edificantes. Podem ser mentirosas e  inventadas. Mas sendo bem construídas serão cativantes. Sendo convincentes, ainda que fantasiadas  nos falarão de verdades profundas. Às vezes, são janelas para espiarmos a vida dos outros, para aprendermos com os personagens. A leitura de literatura possui o caráter coletivo e inesgotável da construção do saber, pois dialoga com diferentes áreas do conhecimento.  A leitura ajuda o leitor a pensar de maneira mais lógica e organizada, a formular de forma mais clara as próprias ideias. E uma vez incorporada ao gosto de cada um, não será desprezada tão facilmente, mas tenderá a fazer parte da vida de quem se acostumou a ler, pelos tempos afora. A partir daí,  a leitura não será apenas um passaporte para abrir portas, para construir habilidades linguísticas, será sangue que corre nas veias.  

Daniella Babosa Buttler - Doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP e professora de Língua Portuguesa e suas Literaturas no Colégio Humboldt – Deutsche Schule e nas Faculdades Integradas Claretianas. 

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